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segunda-feira, 9 de abril de 2012

Dois inteiros e um casamento


A convivência conjugal saudável possibilita o viver juntos com autonomia,  liberdade e  cumplicidade. Vivermos na era digital, mas nos deparamos com pensamentos jurássicos, arcaicos, sustentando rigidamente colunas de um casamentos engessados, onde vivem casais sem amor, nem cor, ficam na dor. 

Pessoas, ao casarem, conceituam a união com  cara metades, como laranjas ou maçãs. Corriqueiras falas vulgarizam o casamento: cada panela tem sua tampa, cada caneca sua alça. Caducos conceitos fragmentam pessoas, lançando-as na cega procura da metade  extraviada. Outras aguardam ser resgatadas, da casa de seus implicantes pais, pelo príncipe do cavalo branco, a quem submeterão a vida em pagamento do resgate.
E os príncipes investidos de força, obstinados a procura da frágil Rapunzel presa na torre? Algumas histórias infantis reproduzem metáforas da mulher como vítima do veneno da maçã. Vemos, próxima, a princesa Fiona abdicando da própria identidade, despersonalizando-se para transformar-se em ogro e viver com Shrek.

Casar é perder a inteireza?

Crenças e ideais tornam-se âncoras, transformando o casamento na busca do horizonte perdido, espaço limitado do encontro de duas metades da fruta, da panela com a tampa, da caneca com a alça, da Bela com a Fera. 
Laranjas e maçãs são frutas. Casamento não é fruteira. Panelas e canecas pedem cuidados: água, sabão, esponja de aço para espelhá-las.
Casamento é polido com amor e respeito.
Príncipes e princesas  fujam, o castelo é de areia.
No casamento real, a princesa vira bruxa (bondosa) e o príncipe, sapo (querido).

Controle remoto no casamento

Tereza, 30 anos, casada 12 anos, três filhos. Mostra-se triste, chorosa, cansada, sem vontade de viver, pouco apetite e insônia. Tem a cabeça curvada, os olhos opacos,  fixos no chão. Quando noiva ouviu dos pais e da sogra o ditado: A mulher enquanto não casa está sob o mando dos pais; quando casa, sob o mando do marido.” E assim  vive desde que casou. Entregou o controle de sua vida ao marido e submete-se a fazer o que ele autoriza. Ele grita, ela cala. Ele ameaça, ela paralisa. Tereza está se esforçando para restabelecer sua autonomia e liberdade. Tem dialogado com o esposo para conduzi-lo a enxergar sua necessidades de passear e ser feliz, de ser respeitada e tratada com amor. Ele está começando a perceber que ela é uma pessoa diferente dele e com necessidades individuais.

Observe: todo controlado requer um controlador. Saia dessa! O diálogo e o respeito são estratégias anti-controle. Casamentos maduros dispensam o controle remoto.

Apropriação do outro

Paulo, 35 anos, casado há 4 anos. Paulo escreve, dá aulas, envolve-se com pesquisa científica. Voa alto, profissionalmente. Em casa, porém, perde as asas, vira prisioneiro, tipo passarinho de apartamento. Não comenta com a esposa os sucessos profissionais, pois ela se mostra ciumenta, insegura. Este sentimento transforma o trabalho dele em seu rival. A cada congresso que ele participa, ela faz chantagens, ameaças e proibições. Invade o espaço profissional dele.
Apropriar-se do esposo. Paulo, para manter sua liberdade no casamento e a diminuição do ciúme, tenta ajudá-la a apropriar-se de suas habilidades pessoais e assim torná-la mais segura de si. A esposa, hoje, encontra-se na faculdade. Está focando seus projetos profissionais e pessoais. Paulo lhe dá afeto. Procura levá-la aos Congressos, oportunizando-lhe  conhecer lugares novos. Esta estratégia tem amenizado brigas e conflitos.

Bem, precisamos entender que casamento é aliança entre duas pessoas inteiras. A conjugalidade idade não dá  direito de apoderamento e  anulação. Cada um permanece com dons peculiares, diferentes. O espaço casamento deve acolher projetos individuais, conjugais, novas perspectivas e as mudanças. O crescimento individual fortalece a autoestima conjugal.

O masculino e o feminino precisam ser respeitados. No casamento dois inteiros diferentes buscam  realização, felicidade e amor. Homem e mulher não são metades. São seres inteiros e distintos. Até estudiosos da neurociência estão identificando esta realidade, que, se conhecidas e entendidas, facilitam a vida no casamento.
Eis que “...cientistas documentaram uma surpreendente variedade de diferenças cerebrais estruturais, químicas, genéticas, hormonais e funcionais entre mulheres e homens. Cada estado hormonal – na infância, na adolescência, no namoro, maternidade e menopausa – age como um fertilizante para diferentes conexões hormonais responsáveis por novos pensamentos, emoções e interesses. Em virtude das flutuações que começam a partir dos três meses de idade e duram até depois da menopausa, a realidade neurológica de uma mulher não é tão constante quanto a de um homem. A realidade do homem é como uma montanha que é desgastada imperceptivelmente ao longo de milhares de anos por geleiras, ventos e profundos movimentos tectônicos da Terra. A realidade da mulher, é mais como o próprio clima – mudando constantemente e de difícil previsão.” (Dra.Louann Brizendine).

Podemos, pois, concluir que as diferenças entre homens e mulheres iniciam na constituição genética embrionária e se estendem por toda a vida. É por isso que há, no casamento, dois seres totalmente diferentes, dois amores corajosos que se esforçam para permanecer juntos e  inteiros.  


*Este artigo é tema de palestra e foi publicado na Revista Família Cristã (Paulinas), edição novembro de 2011.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Palestra EDUCANDO PARA O AMOR

Grupo CHARALINA em Novo Hamburgo/RS

No dia 26 de março, o Grupo CHARALINA reuniu-se no Projeto Regina Comunidade para uma Oficina Vivencial. Nesta Oficina, os idosos participantes desenvolveram habilidades motoras e visuais através de pinturas, desenhos, danças e canções. Houve momentos de integração, partilha e sociabilidade.

O Grupo se reunirá novamente no dia 23 de abril.


  

terça-feira, 27 de março de 2012

Palestra "Se filhos fossem violetas, mães não chorariam"

Olá!!

A palestra "Se filhos fossem violetas, mães não chorariam" trabalha o desafio de ser mãe diante de tantos problemas vividos com filhos adolescentes. Serve de alento às mães, pois nem tudo está perdido.

Em maio de 2011, Cleusa Thewes apresentou esta palestra aos funcionários do Hospital Regina, de Novo Hamburgo/RS e no Regina Comunidade para mães da Vila Palmeira, também em Novo Hamburgo.

O artigo completo foi publicado na Revista Família Cristã (Ed. Paulinas), na edição de setembro de 2010, e postado neste blog no dia 6 do mesmo mês.

Segue fotos do evento:

segunda-feira, 26 de março de 2012

Projeto Piruá

segunda-feira, 14 de março de 2011

Cooperadores Paulinas para o Evangelho

Em novembro de 2010 as Cooperadoras Paulinas (RS), reuniram-se na casa das Irmãs Paulinas em Canoas a fim de realizarem seu retiro anual . O dia foi dedicado ao silêncio, a reflexão do Carisma Paulino, a Leitura Orante da Biblia e a um momento eucarístico(missa).

O grupo de Cooperadores assistiu, ainda, ao filme da Beatificação do Padre Tiago Alberione, fundador da Família Paulina.

O dia foi intenso de espiritualidade e convívio fraterno.

Segue imagens do encontro:


quinta-feira, 10 de março de 2011

Mulher como fator de união e referência familiar

Em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, os brindo com o texto publicado na revista Família Cristã deste mês. Espero que gostem!

“A mulher sábia constrói o seu lar, mas a que não tem juízo o destrói com as próprias mãos.” (Prov.14,1)

O Dia Internacional da Mulher faz sentido. A mídia realça o desempenho, o avanço além fronteiras de uma cidadania feminina, efetiva, atuante, protagonizando, em variados segmentos sociais.
Enfatizaremos o olhar sobre a mulher no sagrado universo familiar, ali, onde muitas vezes encerra a terceira jornada diária. Ao declinar o dia ela retorna a sua casa para atender outras demandas. Circula do fogão para a pia, da máquina de lavar a cada coração daquele lar.
Está cansada? O amor descansa, amansa e fortalece.
Desanimada? Supera-se!
Onde ela esconde forças para bailar a ciranda dos afetos?
Como costura os elos do convívio familiar?
Como cultiva a terna seiva que a todos nutre?
Em qual fonte sacia-se da água viva da paciência, da fé, da intuição, da sabedoria? Quando reza e silencia.

A mulher sábia - A mulher sábia entrega-se à sabedoria, reconhecendo que “feliz é a pessoa que acha a sabedoria e que consegue compreender as coisas, pois isso é melhor do que a prata e tem mais valor que o ouro. A sabedoria é mais preciosa do que as joias; tudo que agente consegue não se pode comparar com ela. ”(Prov.3,13-15).
A palavra bíblica “a mulher sábia constrói o seu lar...” (Prov.14,1), ecoa em seu coração com sonoridade angelical. Imprimi-se em seu cotidiano na tonalidade intensa do arco-íris. A palavra divina transforma-se em aprendizado, numa missão essencial em sua vida familiar .
A mulher guerreira, na curva do amadurecimento, no decorrer da trajetória espiritual, nos aprendizados consequentes entre ganhos e perdas, nos sorrisos que ocultam profundas pegadas das lágrimas no rosto, vai tecendo a visão sábia de sua significância na terra: viabilizar com a família uma experiência saudável da vivência no amor, na compreensão diferenciada das escolhas e do livre arbítrio de cada membro familiar. A união e o afeto são determinados pelo respeito e não mais pelo severo controle de sua absoluta vontade. A flexibilidade e a bondosa energia tornam-se uma estratégia no bem viver familiar. Há muito o poder e o autoritarismo feminino permitem desapegos internos e possibilitam passos autoconfiantes, livres, aprendidos nas lições da eterna aprendiz.
A construção relacional de elos afetivos pressupõem o entendimento sutil, a docilidade inteligente de quem integra afetos à própria vida. Permitir-se ser cuidadora, visionária e mestra transmitindo valores, preservando a inteireza do ser.
Couraças e armaduras quebram-se desnecessárias. Defesas e ataques emocionais são dispensados. A amorosidade, cultivada na insônia das preocupantes madrugadas à cabeceira de filhos febris, a espera de filhos que vão e não voltam, de filhos que transgridem, requerem da mulher renovados atributos: escuta, acolhimento, compaixão e despojamento.
Como a mulher se torna sábia? No desapego à pretensão de tudo saber, de tudo querer solucionar, dando-se conta de que nem tudo ela precisa solucionar. Entende que cada um tem seus processos pessoais de amadurecimento. A mulher buscará, assim, apreender a sabedoria infinita presente no coração inteligente do grande Pai-Mãe

Mulher integrando a união - A união é um ideal desafiador para as famílias, principalmente no contexto atual de acentuado individualismo, tornando-se uma epidemia contagiosa que desarticula o bem estar familiar, minimizando o bem comum, dando supremacia ao prazer egoísta , pessoal.
Falar de união numa sociedade que dá poderes às drogas, ao álcool, ao consumismo, ao monólogo, à bigamia. Falar de integração numa sociedade desajustada pela ausência de limites, pela manifestação da miséria moral e espiritual. Ousar o projeto proximidade numa sociedade distanciada por injustiças sociais.
Gente, neste cenário sócio- familiar machucado, molestado, prostituído, surge o olhar da esperança, presente na persistência da mulher. Ali onde restam pedras somente, ela calmamente se compromete com a reconstrução, e na semelhança com Maria Madalena, anuncia que há vida.
Nos conflitos familiares ela promove o diálogo da reconciliação.
Na diferença hostil entre irmãos ela viabiliza um canal para a aceitação, a proximidade e o perdão.
Com filhos drogados, ela fortalece vínculos dando-lhes um suporte de segurança, apoio e orientação.
E os filhos infratores, ela os encaminha e acompanha na reabilitação.
A filha precocemente grávida,oferece proteção.
Aos cônjuges, e aos filhos sem fé, tal qual Santa Mônica, oferece sua constante oração.
Aos cônjuges traidores ela oferece a reconciliação.
Ela não abandona a família. Cuida! Protege!
Aos que choram, consola.
E assim ela vai treinando no lar as sábias lições da misericórdia, da mansidão, da tolerância. Corajosamente, embora sofrendo, persiste e insiste, restabelece laços e entrelaços.
Mulher, onde reside teu segredo? Na humilde permissão em transplantar seu coração pelo coração de Deus.
Esta mulher chora?
Sim! Onde? No ombro de Deus.
Esta mulher se fortalece?
Sim! Onde? Na calada da noite. Enquanto a família adormece, ela se refugia no sacrário da alma e ali se abastece.
E assim, mulheres do mundo, fiquem com Deus!
Mãe de todos os Homens, ensine-nos a perseverar e a dizer amém!